quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mártires Somos Nós

Estou farto de guerras e de divisões internas e ao ler os comentários que se vão escrevendo nos blogues leoninos relativos à entrevista do Costinha cada vez fico mais convicto de que este nunca a devia ter dado, nem feito as revelações que nela fez da forma como fez e sobretudo...na condição em que as fez.

O resultado prático da sua atitude está agora à vista de todos e é apenas e só um: Fraccionar ainda mais um clube cujos adeptos estão já totalmente divididos entre facções, candidatos e agora...directores desportivos, treinadores e dirigentes.

O SCP é um clube democrático, e os sportinguistas gostam de debater com paixão e preocupação tudo aquilo que diz respeito ao seu clube, mas existem algumas coisas bem mais antigas que o próprio Sporting e que se foram inventadas há tantos séculos e ainda hoje perduram é porque alguma razão de ser têm, ou doutra forma ter-se-iam diluido nas brumas do tempo.

A 1ª dessas coisas chama-se hierarquia.

Costinha, ao contrário da ideia que tenta fazer passar, estava no Sporting por opção. Ele não foi mobilizado para ir para o Ultramar que se saiba, assim, só estava no Sporting porque alguém o convidou para o cargo e ele aceitou. E essa aceitação também não era de tal forma vinculativa que o impedisse de bater com a porta caso o SCP não cumprisse com aquilo que lhe tinha prometido em termos de condições financeiras para poder implementar as suas ideias e desenvolver o que tinha projectado.
Nada disso. Costinha ficou e aguentou até à passada 2ª feira ao lado de JEB, e aquilo que fez enquanto empregado do SCP – sim, porque ele não é lacaio de JEB – é inqualificável.

A 2ª dessas coisas chama-se mandato.

O mandato é em rigor uma autorização segundo a qual alguém confia a outrém a possibilidade de actuar em seu nome e representação.
JEB enquanto presidente do SCP representa o clube, e os actos que praticou, bem ou mal, foram os actos praticados pelo SCP. O mesmo se passa com Costinha que, enquanto for empregado do clube, actua em nome deste e não a a título pessoal. Ora, se assim é, o que Costinha fez na passada segunda-feira foi desrespeitar de forma grosseira o clube que ainda representa.
Nada o obriga a pactuar com aquilo que entende ser um gestão danosa do clube – que aliás, já milhares de sportinguistas denunciam há vários meses, sem que tivessem merecido dos que agora defendem Costinha qualquer medalha – e como tal o correcto seria apresentar a sua demissão. A partir do segundo a seguir à sua demissão já nada nem ninguém o poderiam censurar uma vez que já não estava vinculado ao clube pelo que não devia a JEB qualquer solidariedade institucional.

Num momento em que as emoções andam à flor da pele e em que o ”verdadeiro sportinguismo” é invocado sem pudor nem mesura para justificar atitudes e decisões que de outra forma seriam apenas e só ridículas e descabidas, as palavras de Costinha foram um péssimo serviço prestado ao clube pelo seu ainda director de futebol.
No entanto o tempo decorrido desde a concessão da dita entrevista até agora, sem que da parte do SCP tenha havido sequer um esboço de reacção, continuando Costinha ao serviço do SCP, acabam apenas e só por tristemente confirmar aquilo que Costinha deixou transparecer quando falou à Sport TV: o poder está na rua porque JEB deixou o clube está ao abandono.

Perante este cenário ainda acreditam que Costinha é mártir ???

Pá, mártires somos nós !!!

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